sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ricardo Kotscho, as enchentes a e falta de solução

O Ricardo Kotscho é o maior repórter brasileiro. Repórter, não jornalista de cursinho da Folha ou da Abril. Ele é daqueles que buscam a notícia, ao invés de esperar que ela apareça. Seu blog, o balaio, é minha leitura diária obrigatória, seus textos são de uma clareza e simplicidade que agradam a qualquer ser humano sensato. A revista Brasileiros agradece e eu também. Como diz o meu amigo Zé Preto, o Kotscho é o Dorival Caymmi do jornalismo brasileiro.

Em um de seu posts, ele falou que não existe solução para as enchentes em São Paulo. É difícil quando discordamos das pessoas que admiramos, São Paulo tem solução sim. Depois da tragédia no Rio, a solução  é obrigatória, para São Paulo, Rio, ou qualquer outra região do Brasil. Sou um defensor dos políticos e da política. Não acredito que ongs e ocips possam resolver qualquer coisa nesse país, ou em qualquer lugar do mundo, se o Estado não estiver presente.

Somos massacrados diaramente com as ideias de Estado mínimo, da competência da sociedade, e da  ausência da mesma no Estado, do "prejuízo" dos "gastos" de custeio. Isso tem que ser repensado. Não é possível considerar custo a contratação de pessoas que realizam o trabalho de prevenção e de planejamento, que podem evitar a perda de vidas. O trabalho é de longo prazo, mas só poderá ser feito pelo Estado.

Talvez a morte de 500 pessoas - infelizmente poderão ser muito mais -  leve a uma reflexão: a demonização do Estado serve apenas para que os políticos justifiquem sua incompetência... enquanto isso assitimos à tragédia.

Um comentário:

  1. Putz!! Enfim, a sensatez Zé... Trabalho especificamente com políticas públicas no sistema penitenciário paulista e estou farta de ações imediatistas, assistencialistas decididas no calor da hora! O 3º setor pra mim tem um papel muito claro: se quer existir, terá que executar uma política de Estado, sem pretensões de ser estado... Infelizmente, é sempre nesses momentos de perdas, tragédias é que essa discussão vem à tona, e nem sempre de forma imparcial, uma pena!

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