Finalmente assiti ao espetacular Inside Job. Apesar de já saber quase tudo o que o documentário mostra, pois acompanhei de perto toda essa obscenidade, o roteiro nos leva a ficar estupefados. O cinismo e a gagueira dos responsáveis pela crise te deixa com vontade de quebrar a tela do computador.
E o Obama? Montou um governo de Wall Street e jogou no lixo toda a esperança que o mundo depositou nele durante sua campanha. Doi mais ainda saber que no ano que vem estarei torcendo por sua reeleição, esperando que o Tea Party não chegue diretamente ao poder. Indiretamente eles já estão lá há tempos.
E o Obama? Montou um governo de Wall Street e jogou no lixo toda a esperança que o mundo depositou nele durante sua campanha. Doi mais ainda saber que no ano que vem estarei torcendo por sua reeleição, esperando que o Tea Party não chegue diretamente ao poder. Indiretamente eles já estão lá há tempos.
O que eu não sabia era a relação promíscua entre os intelectuais e os crápulas do mercado financeiro. Achava, inocentemente, que os acadêmico estadunidenses acreditavam verdadeiramente na desregulamentação dos mercados. Após a queda do comunismo, na minha visão torpe sobre o mundo acadêmico, os estudiosos universitários confiavam que não haveria razão para a manutenção de uma regulação do mercado. A vitória da "liberdade" e do "indivíduo".
Mas não, a questão era grana mesmo. Os intelectuais recebiam, e continuam recebendo, fortunas para produzirem relatórios e estudos falsos, mentirosos, distorcidos, preparados para provar que os agentes racionais do mercado estão certos, e qualquer contestação a essa visão estúpida da economia é feita por questões ideológicas, e portanto erradas.
Mas não, a questão era grana mesmo. Os intelectuais recebiam, e continuam recebendo, fortunas para produzirem relatórios e estudos falsos, mentirosos, distorcidos, preparados para provar que os agentes racionais do mercado estão certos, e qualquer contestação a essa visão estúpida da economia é feita por questões ideológicas, e portanto erradas.
Como agravante, um canal de comunicação aberto, que corrobora essa visão, e que não permite o contraditório: a mídia. Os Estados Unidos são os pioneiros do que o Luiz Gonzaga Belluzo chama de "jornalismo de coluna". O jornalista apresenta o fato. O fato precisa de uma análise ou explicação, afinal o receptor do fato (leitor, espectador, ouvinte, internauta) é um ser incapaz de compreender aquele fato. Então, convoca-se um analista que explica que o fato não é bem assim. Sempre a análise converge para uma visão pré-determinada.
Uma das principais críticas ao marxismo ortodoxo era justamente essa. Há uma teoria. Estuda-se o fato. Se o fato não comprovar a teoria, joga-se o fato no lixo e fica-se com a teoria. Exatamente a picaretagem intelectual da escola austríaca de economia e da escola de Chicago. Aqui, a Puc-RJ é a maior representante desse pensamento. E por aqui, são esses intelectuais os analistas do nosso jornalismo tupiniquim.
Uma das principais críticas ao marxismo ortodoxo era justamente essa. Há uma teoria. Estuda-se o fato. Se o fato não comprovar a teoria, joga-se o fato no lixo e fica-se com a teoria. Exatamente a picaretagem intelectual da escola austríaca de economia e da escola de Chicago. Aqui, a Puc-RJ é a maior representante desse pensamento. E por aqui, são esses intelectuais os analistas do nosso jornalismo tupiniquim.
O colonizado jornalismo brasileiro resolveu copiar o modelo estadunidense. É impossível ler um jornal ou assistir a um telejornal - com exceção da TV Record, impressionante, a TV do bispo não tem analista - sem que alguma coluna ou opinião de especialista explique o fato para o receptor ignóbil. Essa foi a fórmula encontrada para escapar da hipocrisia da imparcialidade. O jornalismo é imparcial, o analista - da PUC-RJ ou de suas crias - está apenas opinando de forma racional e técnica.
Quando o jornalista vira o comentarista, essa falsa fronteira é escancarada. Nada contra a Miriam - estou apenas usando um exemplo - mas tantas análises catastrofistas renderam à jornalista Miriam Leitão o epíteto de urubóloga. Durante oito anos seguidos ela previu que o Brasil iria quebrar. Não quebrou, nem na crise de 2009. Ignorante ela não é. Receber dinheiro, também duvido. Estelionato intelectual, acho difícil diante da inteligência da jornalista-comentarista. Depois de tantos erros, como pode continuar falando diaramente suas mentiras e deturpações?
Quando o jornalista vira o comentarista, essa falsa fronteira é escancarada. Nada contra a Miriam - estou apenas usando um exemplo - mas tantas análises catastrofistas renderam à jornalista Miriam Leitão o epíteto de urubóloga. Durante oito anos seguidos ela previu que o Brasil iria quebrar. Não quebrou, nem na crise de 2009. Ignorante ela não é. Receber dinheiro, também duvido. Estelionato intelectual, acho difícil diante da inteligência da jornalista-comentarista. Depois de tantos erros, como pode continuar falando diaramente suas mentiras e deturpações?
São os intelectuais, os acadêmicos do pensamento único. Depois da catástrofe do subprime - essa sim uma verdadeira catástrofe que merecia a prisão dos responsáveis e a apreensão de seus bens como forma de indenização - insistir na defesa desse modelo é uma atitude que só pode ser explicada por interesses escusos. Nem tão escusos assim.
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Após a posse da Dilma, o movimento da mídia foi contraditório, pois sem ter o Lula para bater, não havia notícia. Bobagens como liturgia do cargo e estilo da governar foram exaltados de forma a continuar a crítica à Lula, porém sem elogios ao governo. Uma expectativa se formou em torno do novo BC e do corte no orçamento. O BC subiu duas vezes os juros, os cortes foram de 50 bilhões de reais. Aparentemente uma vitória da doutrina de pensamento único e da mídia contra a irresponsabilidade da equipe econômica de Lula, da qual, incrivelmente, fazia parte uma tal de Dilma Rousseff.
Uma estranha aproximação entre a presidenta e a mídia ocorreu. Teve até editorial do Estadão elogiando Dilma. Porém, os elogios sempre foram no sentido de comparação entre Lula e Dilma, nunca nas políticas governamentais. Essas continuaram sendo criticadas e nos últimos dias, as críticas estão virando brados inconformados, brados que refletem alguns fatos:
1. Apesar do corte de 50 bilhões do orçamento, o Tesouro repassou 55 bilhões para o BNDES emprestrar, com juros subsidiados, e manter o papel desenvolvimentista do banco, abandonado por FHC, retomado por Lula e que continua com Dilma.
2. O BC iniciou um movimento de medidas macroprudenciais para conter o crescimento da inflação. Divergente do pensamento único do mercado e dos intelectuais, os quais enxergam apenas o aumento de juros para esfriar a economia.
3. Na última reunião entre o BC e o Focus, Tombini, presidente do BC, de recusou a falar com os agentes de mercado que dominam o Focus. Ouviu e saiu sem falar nada. Aparentemente a relação entre os agentes de marcado (Focus) e o BC ( governo) mudou após a saída do Meirelles.
4. O BC admitiu que esse ano não vamos voltar para o centro da meta de inflação, pois isso significaria derrubar a economia. O BC indica que vai enxergar 24 meses, ao invés de 12 meses, para o controle da inflação.
2. O BC iniciou um movimento de medidas macroprudenciais para conter o crescimento da inflação. Divergente do pensamento único do mercado e dos intelectuais, os quais enxergam apenas o aumento de juros para esfriar a economia.
3. Na última reunião entre o BC e o Focus, Tombini, presidente do BC, de recusou a falar com os agentes de mercado que dominam o Focus. Ouviu e saiu sem falar nada. Aparentemente a relação entre os agentes de marcado (Focus) e o BC ( governo) mudou após a saída do Meirelles.
4. O BC admitiu que esse ano não vamos voltar para o centro da meta de inflação, pois isso significaria derrubar a economia. O BC indica que vai enxergar 24 meses, ao invés de 12 meses, para o controle da inflação.
5. Toda a fritura em cima do Mantega foi eliminada com a entrevista de Dilma ao Valor. Lá fica claro que o BC não tem agentes do mercado em sua diretoria e que o desenvolvimentismo vai continuar na política econômica, tocada por Guido Mantega e Miriam Belchior.
6. Quatro áreas do governo não sofreram cortes: saúde, educação, PAC, e combate à miséria. Ciência e Tecnologia, que perdeu por volta de 1 bilhão de reais no orçamento, porém, conseguiu dois bilhões de reais a mais para a Finep.
7. O crescimento industrial continua, assim como a expansão do crédito e do consumo.
8. O Minha Casa Minha Vida "perdeu" dinheiro. Mas o orçamento de 2011 ainda não foi votado - será votado nesse mês de Abril - e ainda há restos a pagar de 6 bilhões do programa.
Esses fatos contradizem o pensamento único. Para ficar em um exemplo: a inflação não é generalizada. Há setores da economia que vivem pressões de subida de preços. Então, o governo Dilma toma uma medida para diminuir o crescimento desse determinado setor. Uma subida dos juros diminui o conjunto da economia, ao invés de reduzir as pressões inflacionárias específicas de um parte da economia.
Todos esses sinais indicam que Dilma vai aprofundar a política de Lula. As únicas áreas em que o Lula não mexeu - o BC e a política monetária - estão se mostrando de cara nova. Dilma tem lado, mais "sinistro" (uma singela homenagem à Itália) que Lula. Não espero as mudanças para amanhã, não acredito em mudanças abruptas e repentinas. O mercado também não. Mas eu vejo mudanças. O mercado também. Daí o brado.
Os intelectuais, aqueles que por motivos escusos são os analistas da mídia, estão inconformados. Eles querem sangue. Duas elevações da Selic mais um corte de 50 bilhões são insuficientes. Desejam aumento maior e mais rápido da Selic e um corte maior que o corte feito por Dilma. Em pouco tempo os jornalões e as TVs começarão a atacar diretamente a Dilma. Por enquanto estão dizendo que o governo tem que tomar cuidado. Governo, não Dilma. Diferente dos tempos de Lula, nos quais os nomes eram explicitados.
O namoro está chegando ao fim. Três derrotas seguidas, na urna, no voto! Assim deve ser. Quem está cooptando quem?
Agora que o Lula é Doutor, será que a mídia vai convidá-lo para ser analista?
6. Quatro áreas do governo não sofreram cortes: saúde, educação, PAC, e combate à miséria. Ciência e Tecnologia, que perdeu por volta de 1 bilhão de reais no orçamento, porém, conseguiu dois bilhões de reais a mais para a Finep.
7. O crescimento industrial continua, assim como a expansão do crédito e do consumo.
8. O Minha Casa Minha Vida "perdeu" dinheiro. Mas o orçamento de 2011 ainda não foi votado - será votado nesse mês de Abril - e ainda há restos a pagar de 6 bilhões do programa.
Esses fatos contradizem o pensamento único. Para ficar em um exemplo: a inflação não é generalizada. Há setores da economia que vivem pressões de subida de preços. Então, o governo Dilma toma uma medida para diminuir o crescimento desse determinado setor. Uma subida dos juros diminui o conjunto da economia, ao invés de reduzir as pressões inflacionárias específicas de um parte da economia.
Todos esses sinais indicam que Dilma vai aprofundar a política de Lula. As únicas áreas em que o Lula não mexeu - o BC e a política monetária - estão se mostrando de cara nova. Dilma tem lado, mais "sinistro" (uma singela homenagem à Itália) que Lula. Não espero as mudanças para amanhã, não acredito em mudanças abruptas e repentinas. O mercado também não. Mas eu vejo mudanças. O mercado também. Daí o brado.
Os intelectuais, aqueles que por motivos escusos são os analistas da mídia, estão inconformados. Eles querem sangue. Duas elevações da Selic mais um corte de 50 bilhões são insuficientes. Desejam aumento maior e mais rápido da Selic e um corte maior que o corte feito por Dilma. Em pouco tempo os jornalões e as TVs começarão a atacar diretamente a Dilma. Por enquanto estão dizendo que o governo tem que tomar cuidado. Governo, não Dilma. Diferente dos tempos de Lula, nos quais os nomes eram explicitados.
O namoro está chegando ao fim. Três derrotas seguidas, na urna, no voto! Assim deve ser. Quem está cooptando quem?
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Agora que o Lula é Doutor, será que a mídia vai convidá-lo para ser analista?

Análise vigorosa, xará. Muito obrigado por compartilhá-la aqui. Abraço!
ResponderExcluirValeu Zé!
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