sábado, 30 de abril de 2011

A falsa moral tucana

Em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, Bresser Pereira anunciou sua saída do PSDB. Uma de suas respostas explica sua chegada ao partido e visão que Franco Montoro tinha à época sobre a social-democracia:

 

Bresser-Pereira: Em 1988, fui um dos fundadores do PSDB. Na época da fundação, o Montoro não queria o nome de social-democracia para o partido, porque tinha origem na democracia cristã, que a vida inteira tinha lutado contra os social-democratas na Inglaterra, na Alemanha e na Itália. Nós ganhamos, pelo fato de sermos centro-esquerda. Mas aí ele dizia: “Muito bem, mas e se esse bendito PT, que se diz revolucionário, que tem propostas para a economia brasileira completamente irresponsáveis, chega no poder ou perto do poder e se domestica, e se torna social-democrata, como aconteceu na Europa? Eles têm toda uma integração com os trabalhadores sindicalizados, que nós não temos, então nós vamos ser empurrados para a direita”. E foi isso que aconteceu.


Nos conflitos entre Mario Covas e os professores em 2000, dois episódios marcaram o início do desmonte do ensino paulista, lidarado pela então secretária de educação Rose Neubauer: a agressão - estúpida, injustificável e vergonhosa - do governador na Praça da República, e o ovo que atiraram nele no interior paulista. Nesse, Covas subiu no carro de som e reagiu com um discurso no qual afirmava que "nós lutamos cotra a ditadura pela liberdade de vocês". Assim como os abolicionistas lutaram pelos escravos, os indigenistas pela tutela dos indígenas, os homens pela sobrevivência das mulheres.

A contradição tucana - uma social-democracia sem base social - caracteriza o partido como elitista. Não necessariamente o elitismo econômico, mas uma cúpula partidária formada por intelectuais que acreditavam, e ainda acreditam, na ultrapassada concepção de serem o guia dos povos. O partido que surgiu para modernizar, buscava combater as velhas relações políticas clientelistas e populistas, mas em seu cerne, o PSDB sempre esteve ligado à teoria das elites, e portanto é, na prática, um partido reacionário. Reacionário no sentido em que ainda crê que as nações devem ser dirigidas por uma elite possuidora da virtude, da ética, do conhecimento e portanto, deve ser a classe dirigente do país. Ao manter esse ideal - mesmo após todas as transformações que passamos nos últimos oito anos - os tucanos estão reagindo ao avanço  lento, porém constante, de uma democracia de massas.

Ainda tentando se colocar como um partido de esquerda, ou pelo menos de centro, os tucanos defendem a tese que tomaram medidas no sentido social, como o bolsa-escola. Porém, ignoram o fato que a característica fundamental da democracia moderna é a organização social, uma participação mais ativa da sociedade nas decisões políticas, uma democracia muito mais direta do que aquela desejada pelo partido elitista, ainda crente que seres iluminados devem dirigir o país. Num regime democrático - a ainda estamos longe de atingir uma democracia de massas - as ações políticas são construídas a partir de uma interação entre os movimentos organizados da sociedade e sua capacidade de influenciar as decisões dos governos.

Sem a ilusão de equidade nessas relações, a Febraban, por exemplo, tem muito mais poder do que o MST, mas a bancada ambientalista é muito menor do que a ruralista e mesmo assim os primeiros estão colocando em xeque o novo código florestal. Se serão vitoriosos ou não, depende do tamanho de influência que os movimentos verdes tem sobre os parlamentares.

Fechar esse canal de comunicação foi o que sempre fez o tucanato enquanto governo, pois em seu elitismo interno não pode conceber que as massas, ainda mais se forem desinformadas, tem algo a dizer ou  reivindicações a fazer, as quais em raríssimos casos são de caráter populista, ou retrógradas. No recente artigo de FHC na revista Interesse Nacional a estapafúrdia frase "temos que abandonar o povão e buscar a nova classe média" é de uma inabilidade política inaceitável para quem foi presidente por dois mandatos, mas que apenas comprova que o partido não trabalha com interação, enxerga apenas o que sua classe dirigente tem a "ensinar". Não há via de mão dupla.

O fratricídio da oposição chega a ser penoso, triste mesmo. Para a mídia, defensora incondicional de FHC, seu artigo é bem argumentado sociologicamente, porém ruim politicamente. Após ler, com um mínimo de seriedade até, cheguei à conclusão que o artigo é ruim tanto sociologicamente, quanto politicamente. Não passa de um panfleto rebuscado, momentos rococó, momentos revista Veja, com a ultrapassada e repetida argumentação: tudo que existe de bom no governo Lula foi FHC quem criou e o Lula anestesiou a sociedade brasileira com relação clientelistas, apesar de a mídia continuar cumprindo o seu papel magnânimo de apontar essa rede corruptora instalada pelo lulopetismo.

Em certo momento, quando argumenta que "os partidos de oposição podem organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida não a diretórios burocráticos, mas a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas", nem como intelectual, nem como político o ex-presidente vaidoso disserta sobre quais são os interesses dessa camadas. Um discurso propositadamente vazio, pois o que o PSDB busca é o desmonte de qualquer ação estatal que vise, um mínimo que seja, a distribuição das riquezas brasileiras. No mais, recorre ao anacrônico discurso de modernização e ataques ao capitalismo de privilégios de um Estado grande demais. Quanto ao projeto, nada a apresentar, pois projeto não há, ou se há, é reduzido a uma cúpula, mantendo o caráter elitista tucano.

No momento em que a disputa fratricida tucana naufraga a oposição, torna-se urgente que os demotucanos acertem os rumos. A distância entre o discurso vazio e a formação de um projeto nacional, apenas exacerbam o fracasso daqueles que sempre se colocaram como os representantes de um novo Brasil, mas que nada mais fizeram do que copiar o modelo Thatcher-Regan, responsáveis por uma era de prosperidade para norte-americanos e ingleses, porém que concentraram a renda como nunca e acabaram por jogar o mundo na pior crise do capitalismo desde a grande depressão da década de 30.

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A escola austríaca de economia, agrega uma série de conceitos de outras áreas das humanidades para as ciências econômicas. Utilizando-se constantemente de sofismas - como a comparação entre um orçamento doméstico e um orçamento de um Estado nacional - esse pensamento econômico nos enche de verdades baseadas na idéia de liberdade dos homens. Levando ao extremo as concepções liberais, a história e a organização social é reduzida a ações individuais, as quais, por meio da livre organização dos indivíduos e defesa incondicional da propriedade, levaria a sociedade ao bem-estar e a prosperidade. Qualquer ação do Estado siginifica uma limitação da liberdade individual e um atentado à propriedade, impedindo a plena realização do homem, limitando sua capacidade transformadora.

Assim, autoproclamados humanistas, exaltam o individualismo e o homem, de forma a eliminar de qualquer debate histórico-sociológico outros conceitos como classe, Estado, dialética. Ignoram, por exemplo, que os bandeirantes escravizaram indígenas no Brasil, sem qualquer intervenção estatal ou ação metropolitana. A espontaneidade do homem escravizou outro homem sem que o Estado tenha sido responsável por isso.

Ao considerar que a racionalidade é capaz de garantir uma auto-regulamentação da sociedade, a escola austríaca combate qualquer forma de regulação do Estado. Foi baseado nesse conceito que os governos Clinton e Bush eliminaram a regulação dos mercados nos EEUU. Acreditaram que de forma racional os agentes do mercado são capazes de identificar um risco e, por receio da perda, não assumiriam esse risco. Assim, um banco não concederia crédito para aqueles que não podem pagar, uma seguradora não arriscaria segurar um papel de alto risco e assim por diante. Foi exatamente tudo o que aconteceu, como a atual crise nos demonstra.

Ignorada durante os 30 anos de ouro do século XXm a escola austríaca ganhou impulso com o prêmio Nobel concedido a von Hayek em 1974. Mario Vargas Llosa, ao ler o Caminho da servidão, mudou radicalmente suas opiniões, deixando de ser um comunista para se tornar um neoliberal radical. O debate Keynes-Hayek voltou com força, com clara vantagem para Hayek, devido à ideia de temporalidade. Para os austríacos, a única forma de um indivíduo adquirir um bem é por meio da poupança, pela equivalência do que o comprador dispende para pagar pela mercadoria. Se o homem não é capaz de comprar tal bem, ele deve poupar até que atinja a equivalência.

Qualquer ação do Estado - déficit, expansão de gasto, de crédito ou de moeda, como sugere Keynes - significa a criação atificial de riqueza - pois sem lastro de poupança a moeda perde valor com o tempo - gerando um ciclo econômica de expansão. Esse ciclo expansionista artificial gera "investimentos errados", pouco produtivos, desviados das potencialidade dos indivíduos. Assim, torna-se inexorável um ciclo de depressão, que elimina os investimentos errados e rearranja a produtividade da sociedade.

A questão que fica é: até a sociedade gerar a poupança necessária para que todos desfrutem de bem-estar, o que fazer? Como conviver com pobreza e desemprego? A resposta dos austríacos é simples: nada. Esperar, trabalhar e poupar. Mas como aceitar a pobreza? Outra resposta simples: a moral. Uma moral burguesa, que valoriza a austeridade diante do gasto, a popupança diante do consumo. Fazer uma compra utilizando-se de crédito é imoral, pois é um sentimento imediatista, contrário à virtude. Adiantar um bem-estar é anti-ético, pois a ética é racional, um conjunto de valores guardião de uma convivência pacífica dos indivíduos, e o consumo sem poupança é um desejo irracional.

Assim, o neoliberalismo se apropriou da moral e da ética, como subterfúgio para justificar seu reacionarismo, já que ao postergar o acesso ao bem-estar, aceita uma sociedade em que um pequeno grupo possa consumir, enquanto o outro tenha que esperar, mesmo que a espera signifique pobreza e desemprego. E se esse grupo maior reagir, estará sendo imoral e anti-ético.

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Ao implementar as políticas neoliberais o PSDB optou por fazer a sociedade brasileira esperar. Após o sucesso do lulopetismo e da vitória de Dilma, está evidente que essa não é mais a opção do Brasil. Se aceitamos a espera por um período de oito anos, foi por um hipotético acordo para o combate à inflação. Com a inflação controlada, esse acordo se desfez, cada vez mais o Brasil considera renda um direito, não um privilégio. 

Com a comunicação fechada entre a cúpula tucana e os movimentos organizados da sociedade, resta ao PSDB duas escolhas: a tautologia e a moral. O artigo de FHC nada mais é do que reprodução do mesmo discurso, repetido desde 1988. Como projeto nacional, a única coisa que o PSDB oferece ao Brasil é a espera. Resta-lhe a moral e a ética, apropriadas pelos tucanos com o apoio da velha mídia, pois sem proposta, o que sobra é o ataque à imoralidade de uma sociedade de consumo irracional e sem virtude, condicionada de forma anti-ética pela política de crédito fácil, expansão de gastos, subsídios, indução do crescimento, feita de forma irresponsável pelo presidente metalúrgico.

Decididamente o Brasil merece uma oposição que tenha algo mais a oferecer do que uma falsa moral.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Casamento e beatificação, um fim de semana para esquecer

Nem chegou e já quero esquecer. Na próxima sexta-feira o príncipe William vai casar, mais um casamento do século. Mais uma tentativa de salvar a monarquia inglesa. Salvar do que? Quem coloca em risco essa tradição patética que se perpetua? Por mais que a Inglaterra se mostre republicana, no espírito da res publica, manter uma família real é sustentar a ideia de que existem seres especiais, deiferenciados por nascimento e tradição. 

Seria ótimo se ficassem trancafiados em suas propriedades, isolados, pequenos, insignificantes, a ponto de apagarmos de nossa história e nosso cotidiano a existência da família real. Mas o fascínio que a realeza desperta torna-se insuportável nesses momentos. A imprensa mostrará ao vivo o casório, milhões de pessoas estarão ligadas na festança, há dias que sou inundado por reportagens da gente simples encantada com os pombinhos.

Todos os valores de igualdade - mesmo aqueles burgueses da revolução francesa, liberdade, igualdade e fraternidade - são deixados de lado, esquecidos - como deveria acontecer com os valores da monarquia. Ao invés de escamotear a família real, ela está sendo exaltada. Até a Sofia Copola transformou a Maria Antonieta em vítima, só porque ela nunca falou a frase "se não tem pão, que comam brioche". O individualismo é vangloriado a tal ponto que faz a própria burguesia abandonar os ideais que a fizeram chegar ao poder, tamanho é o poder que ela possui hoje. Tanto poder que se considera nobre. Tanto poder que lhe permite ser tão privilegiada quanto eram os nobres.

A história é reescrita, revisada, de forma a  justificar culturalmente classes privilegiadas e privilégios injustificáveis. E ainda tem gente que tenta desconstruir o bom velhinho Marx, a ideologia e a luta de classes. Meu Deus!

Deus? Vão beatificar o joão paulo no domingo, por um milagre que ele fez depois de morto. Meu Deus, o papa morreu e fez milagre. O príncipe casa na sexta e o papa é beatificado no domingo. Dia 1o de Maio dia do trabalhador (trabalhador, não trabalho). Voltamos para o Antigo Regime?

Se o Palmeiras ganhar do meu Corinthians, o que será de mim na segunda-feira?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Educar para despolitizar. Enquanto isso, o PNE é debatido no Senado.

Há momentos em que a retórica nacional parece caminhar para a unanimidade. A questão da educação brasileira é sem dúvida um caso emblemático,  pois praticamente não há discordância quanto à baixa qualidade do ensino brasileiro. Vladimir Safatle, em excelente artigo na Carta Capital, propõe que a visão do caos educacional funciona para "dar a impressão de que os problemas educacionais brasileiros são profundamente complexos e compreensíveis apenas para uma minoria de especialistas que cobram consultorias a preço de ouro". 

Um sistema caótico e sem solução. Essa é a imagem corrente no Brasil, imagem estourada em cores quando comparamos nossos índices de desempenho a outros países da OCDE ou a nossos vizinhos latinoamericanos. Se compararmos com os países europeus, nosso destino é a vergonha mundial. Politizados e educados são os italianos, os que elegem o Berlusconi para fazer festinhas com prostitutas e estátuas de Príapo. Ou então os franceses, eleitores do machão Sarkosy, que deu um ótimo exemplo para a sociedade francesa do que deve ser um homem, ao invadir o set de filmagens do Woody Allen para vigiar sua esposa atriz, cantora, modelo, manequim, linda, perfeita, maravilhosa, exemplo de primeira-dama, admirada pelos ilustrados brasileiros. Diferente da Marisa, essa era cafona.

Outro paradigma quase unânime é a baixa qualidade da classe política brasileira. Brados unânimes contra os políticos são tão facilmente encontrados quanto as críticas à educação. Nesses dois casos, simplificando toda a complexidade que envolve ambos os temas, encontramos a solução fácil: a política nacional é péssima porque a educação também é. Assim, o povo brasileiro despolitizado - pois não educado - não sabe votar, elegendo péssimos representantes. Pronto, está resolvido, levamos para o fundo do poço dois problemas centrais do Brasil contemporâneo: a política e a educação.

Os autodenominados ilustrados não são capazes de compreender o funcionamento de um Estado composto por 27 estados e 5.500 municípios, com funções educacionais específicas para cada uma das esferas da federação. Qualquer projeto para a educação brasileira é obrigado a contemplar interesses e visões divergentes nessa rede educacional tão complexa como a brasileira. Qualquer ação do governo federal passa, obrigatoriamente, por uma negociação com os governadores e prefeitos  e todas as as concepções diversas sobre o que é educação, qualidade da educação, políticas públicas, metas,  objetivos, estratégias. Diante disso, a ação do governo federal é limitada. Mas os ilustrados acham que tudo é simples, basta uma canetada, afinal, como seres educados, sabem tudo sobre a organização estatal tupiniquim.

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Alguns dados apresentados pelo ministro Fernando Haddad, levantados pelo PHA:

1)Orçamento do Ministério da Educação:
2002, R$ 29 bi; 2011, R$ 70 bi.

2)Desempenho no PISA (o ENEM internacional): Luxemburgo, Chile e Brasil foram os países que mais evoluíram.

3)Rede publica federal ganha da escola privada nos exames do PISA, nas três categorias: Leitura, Matemática e Ciências.

4)Prova Brasil (a cada dois anos, para alunos da 4ª. à 8ª. série): Alunos em 2005 – 3,3 milhões; em 2009, 4,5 milhões

5)ENEM – exame nacional do ensino médio (que o Padim Pade Cerra boicotou):

2002 – 1,9 milhão de alunos

2010 – 4,6 milhões, (com o boicote do maior estado da Federação)

6)Matriculas em educação profissional e tecnologia:

2002 – 565 mil

2010 – 1,1 milhão

7)Unidades de ensino profissional

Janeiro de 2003 – 140

2012 – 435

8)Municípios com ensino profissional:

2003 – 118 municípios

2012 – 388 municipios

9)Escolas profissionais criadas ou federalizadas por presidentes:

Lula – 214 contra 140 de todos os outros presidentes

FHC/Cerra/Paulo Renato – 11

Vargas – 15

Jango – 8

Geisel – o quindim de Iaiá de historialistas brasileiros: 1

10)Matriculas em mestrado e doutorado:

2003 – no Governo do Grão-Sociólogo, 638 mil

2009 – no Governo do metalúrgico, 1 milhão

11)Numero de matriculas em universidades federais:

2003 – 596 mil

2009 – 850 mil

12)Vagas de graduação nas universidades federais:

2003 – 109 mil

2009 – 243 mil

13)Numero de universidades:

2003 – 45

2009 – 59

14)Campus e unidades criadas (não chegam a formar universidades)

2003 – 148

2010 – 274

15)Criação de universidades federais:

FHC – 6 (Geisel, 1; Jango 2; JK 11)

Lula – 14

16)ProUni

De 2005, 2º. Semestre, a 2010, 749 mil bolsas, sendo 47% de afro-descendentes, 69% bolsas integrais e 89% cursos presenciais

No fim de 2010 havia 410 mil  alunos que utilizavam o ProUni

17)FIES

Juros caíram de 9% para 3,4% a.a.; financiamento de 100% das mensalidades; dilatação do prazo de pagamento para o triplo do tempo

2003 – 51 mil contratos

2010 – 426 mil

18)Países que mais evoluíram na publicacão de artigos em revistas cientificas:

China, Brasil, Turquia e Índia, na ordem.

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Até os limites de atuação do governo federal, estamos assitindo a um grande movimento pela melhora da qualidade da educação no Brasil. Mas a União não pode decidir sobre os projetos educacionais dos estados. O estabelecimento de um piso nacional salarial para os professores encontrou uma grande resistência por parte de governadores. Alguns entraram com ações de inconstitucionalidade tentando barrar a medida que busca valorizar a carreira do magistério. 

É claro que bons salários atraem profissionais para as áreas que mais remuneram. Mas há uma visão sobre a educação pregadora da ideia da vocação do professor. Quem tem vocação para o magistério deve submeter-se às piores condições de trabalho, pois tem a missão nobre de esclarecer as "massas desinformadas". Aumentar salário, nessa visão, não significa melhora de qualidade, pois os professores tem a obrigação moral de lecionar da mehor forma possível, pois o magistério é uma carreira especial.

Para os tucanos que governam São Paulo há dezesseis anos, esse é o projeto político para a educação. Com orçamento de 140 bilhões de reais, São Paulo deve gastar 25% desse valor em educação, ou seja  35 bilhões de reais por ano, ou, algo em torno de 3 bilhões de reais por mês. É uma obrigação constitucional. Com uma rede de 4,5 milhões de aluno, o estado de São Paulo tem um orçamento próximo de R$ 700 por aluno. Qualquer gestor minimamente competente é capaz de oferecer uma educação de excelência com um orçamento de R$ 700 por aluno.

Em 2010, a nota do Idesp (Índice de desenvolvimento da educação de São Paulo) para o 3o ano do Ensino Médio foi 1,81. É isso, com R$ 700 por aluno, a competência da gestão tucana consegue ter uma avaliação preparada por eles mesmo, abaixo de 2. Ou os gestores tucanos são de uma incompetência escandalosa, ou então, o PSDB é um partido que tem um projeto de abandono total da educação. É claro que depois do discurso do Aecinho e do artigo do FHC, a resposta já está dada.

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Os ilustrado que acham que sabem tudo sobre o Brasil ignoram que um projeto nacional para a educação tem que enfrentar essas dificuldades. Ficar fazendo discurso contra os políticos e lamentando que a educação não tem solução, é justamente o que os gestores da educação e os políticos mais desejam. Assim, ninguém atenta para o fato que com R$ 700 por aluno, uma nota 1,81 é absolutamente injustificável. O caos educacional e a corrupção política permitem que esse tipo de bizarrice se justifique. Em qualquer país minimamente republicano, esse governo seria escorraçado do poder, mas a opção dos paulistas é a continuidade desse modelo de gestão. E pior, hipocritamente, esse mesmo governo se justifica colocando a culpa dessa vergonha nos alunos e nos professores. E são aplaudidos!

E assim, em meio a um discurso vazio e moralista, o Plano Nacional de Educação está sendo debatido no Congresso. Um dos principais pontos do PNE é a Lei de Responsabilidade Educacional, que assim como a Lei de Responsabilidade Fiscal, pune os maus gestores. Os trabalhos no Congresso mal começaram e o MEC já foi obrigado a retirar a LRE, que será votada separadamente do PNE. Em meio à retórica obscura, o Brasil está decidindo sobre os rumos dos próximos dez anos da educação brasileira. O governo Lula-Dilma tem um projeto claro, amplamente divulgado, com ações práticas, objetivos, estratégia e resultados.

A educação tem solução sim. Uma luta longa: muito dinheiro, tempo, perseverância, persuasão, acordos, valorização do professor, e de novo, muito, muito dinheiro. Agora é a hora desse projeto restrito à União se ampliar para estados e municípios.

A resistência será enorme e a estratégia dos iluminados definida: obscurecer para que a discussão fique restrita ao Congresso, com pouca repercussão nacional. Enquanto isso, os políticos imprestáveis tentam impedir a melhora da qualidade educacional. Sob a lógica do caos educacional e da legitimidade às avessas: se a política não presta, então para que fazer política? Por que aprovar o PNE?

Com os aplausos dos iluminados!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Aecinho: à direita e avante!

O Partido da Social-Democracia Brasileira surgiu num contexto histórico em que nem os próprios criadores da social-democracia acreditavam mais nela. Em 1988, a Europa e os Estados Unidos viviam o fim da utopia do trabalho, o Brasil estava saindo da ditadura e o PSDB nascia como o partido da modernidade (viu Marina Silva?) em oposição à tradicional política (viu Marina, de novo?) coronelista-paternalista brasileira.

Muitas explicações já foram dadas para o fim dos 30 anos de ouro, o período entre a II Guerra Mundial e a década de 70, período em que os países centrais do capitalismo vivenciaram o pleno emprego e o Estado de bem-estar social. A teoria mais tradicional explica o desmonte do estado social a partir do choque do petróleo de 73, coincidente com a completa reconstrução da Europa e do Japão. Durante os anos dourados o barril custou 2 dólares em média. A Opep cartelizou seu preço e o elevou para mais de vinte dólares em pouquíssimo tempo. A deduplicação do preço da principal fonte de energia dos Estados sociais incorporou um custo elevado para o sistema produtivo, que seria minimizado com a diminuição dos "custos trabalhistas". Por isso o desmonte desses Estados, inagurado pela Thatcher na Inglaterra, em 1979.

Essa é uma explicação que exonera outros fatores além da economia. Racionaliza o fim da utopia do trabalho como se fosse algo inexorável. Não dá para aceitar que os Estados sociais foram criados por bondades do capitalismo ou que os partidos europeus representassem verdadeiramente os trabalhadores. O que houve na montagem dos Estados sociais foi uma concessão dos capitalistas aos trabalhadores, pois os primeiros estavam apavorados com a possibilidade real de expansão do comunismo para o lado ocidental. 

A URSS foi a grande vencedora da II Guerra, o exército vermelho derrotou mais de 70% das tropas de Hitler, um país agrário e absolutista em 1917 transformou-se, em menos de 30 anos, num país industrial e capaz de derrotar a "maior máquina de guerra" da história. Os planos quinquenais de Stálin possibilitaram à URSS ficar imune à grande depressão da década de 30, criando empregos e bem-estar para toda a sua população.  Tudo bem, não foi bem assim, mas ninguém sabia disso logo após o término da guerra. Winston Churchill, o grande heroi da guerra, o articulador da aliança EUA-URSS, o aproximador de Stalin e Roosevelt, aquele que prometeu apenas "sangue, suor, trabalho e lágrimas" e mudou o estado de espírito dos ingleses massacrados pelos bombardeios da Luftwaff, perdeu as eleições de 1945 para o trabalhista Atlee.

Os trabalhadores europeus queriam e exigiam bem-estar, padrões antes exclusivos da classe média. Diante desse quadro, os apavorados capitalistas optaram por ampliar os direitos trabalhistas formando a estrutura dos estados sociais: 1. os trabalhadores abandonaram suas pretensões comunistas, 2. os capitalistas diminuiram a mais-valia absoluta, enquanto pudessem compensá-la na mais-valia relativa, 3. o Estado fez a intermediação entre as classes, regulando o capitalismo, impondo limites ao capital, e criando o sistema de bem-estar.

Essa equação foi possível de ser fechada pois as políticas keynesianas sempre dependeram do investimento privado. Enquanto o Estado distribui renda, mantém afastado o "perigo comunista" buscando o pleno emprego por meio de déficits orçamentários gerados com elevados gastos públicos, tanto para a criação, manutenção e ampliação da proteção econômica de seus cidadãos, quanto para o estado indutor do crescimento, absorvendo os trabalhadores exógenos da iniciativa privada, nas grandes obras de reconstrução e infraetrutura.

Esse défcit pode ser financiado de quatro formas: impostos, emissão de papeis de dívida pública,  emissão de papel-moeda (após o fim do padrão dólar-ouro) e crescimento econômico. À excessão do papel-moeda, as outras três formas de financiamento do déficit dependem parcialmente dos capitalistas. O quanto a burguesia está disposta a pagar de impostos, o quanto está disposta a comprar de títulos da dívida e a que preço (juros), além dos investimentos necessários para o crescimento econômico. Daí a dependência da política keynesiana do investimento privado. 

Durante os trinta anos de ouro, os capitalistas das economias centrais estiveram dispostos a pagar muitos impostos, financiar a dívida pública a uma preço baixo, e fazer vultuosos investimentos na reconstrução do pós-guerra. Muito mais por temor dos trabalhadores e da força dos sindicatos., do que por acreditar numa harmonia social. Com os lucros achatados na mais-valia absoluta, e com a carga tributária que sustentava o estado social, restou ao capitalismo ampliar a mais-valia relativa. Investimentos maciços em tecnologia resultaram na revolução tecnológica e o toyotismo substituiu o fordismo. A partir daí, tornou-se impossível para o socialismo real acompanhar o novo capitalismo que se formava. Muito mais imaginário do que real, o "perigo comunista" se desmanchava no ar.

A burguesia avisou: não queremos e não vamos continuar sustentando o estado social. Queremos voltar a ter a acumulação do capitalismo liberal. Não abriremos mão do lucro máximo. Então a Thatcher venceu na Inglaterra, O Reagan nos EUA e o Helmut Khol na Alemanha. A harmonia entre capital e trabalho chegou ao fim, voltamos para a luta de classes. Longe da luta revolucionária que buscava a extinção da propriedade privada, a disputa se travaria no interior do estado democrático, o que por si só, já dá uma larga vantagem para os capitalistas.

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Uma campanha intensa, iniciada na década de 70 e que persiste até hoje, mesmo após a crise de 2008-2009, foi desencadeada com o total apoio da mídia mundial. A demonização do Estado e dos políticos, a incompetência dos funcionários públicos, os marajás, aproveitadores, exploradores, etc, etc. O dinheiro dos impostos é mal aplicado, nada contra distribuir renda, mas políticas sociais impedem a autonomia do indivíduo, etc, etc.  Se antes o Estado era a solução, se transformou no problema. Temos que diminuir o Estado a ponto de conseguir jogá-lo na privada, foi mais ou menos a frase proferida pelo Reagan.

E mais um estelionato intelectual: o Estado de bem-estar é responsável pelo empobrecimento do povo, do mais desprotegido, pois ao sustentar a seguridade social e o crescimento econômico com o déficit orçamentário, o Estado é responsável pela inflação. E quem mais sofre com a inflação é o último da pirâmide social. E essa virou uma verdade absoluta, aceita com uma facilidade até por aqueles que se dizem ilustrados.

Durante 30 anos os países centrais do capitalismo sustentaram déficits sem inflação. E de repente, o gasto público virou o responsável pela subida de preços. Jogou-se fora toda a teoria econômica. Mais uma vez, abandonou-se o fato e ficamos com a verdade inventada. Nunca o Estado deficitário gerou inflação. Qualquer estudo teórico, empírico, econômico, sociológico histórico, ou sei lá mais o que, mostrou que a inflação é gerada por déficit público. E mais grave, esses falcões utilizam o nome do povo, do "mais desprotegido" para atacar de forma abjeta o Estado, com a hipócrita alegação que são esses "pobres coitados" os que sofrem com a subida de preços.

A inflação é muito mais complexa do que os gastos públicos. A elevação de preços pode ser absorvida por aumentos reais dos salários e políticas distributivas de renda. Inflação também é subjetiva. Se há muito desemprego, não adianta os preços estarem baixos. Para o desempregado a inflação será a mais alta do mundo. Pleno emprego e aumentos reais dos salários absorvem a inflação se a elevação do custo de vida for menor do que os investimentos, poupança e ganho de produtividade. Não há relação com os gastos do governo. A demonização do Estado é uma estratégia clara para se enxugar a máquina pública, para desmontar o estado social. O déficit público virou o vilão da inflação.


Diante do massacre midiático, cultural e marqueteiro, a disputa entre capital e trabalho pendeu de forma vertiginosa para o capital. Privatizações, desmonte das políticas de bem-estar, flexibilização dos leis trabalhistas, desmonte dos sindicatos, corte de impostos para os ricos, e principalmente, austeridade fiscal. Tudo sob a aura da racionalidade econômica e do fim das ideologias com a queda da URSS. Era o fim da divisão entre direita e esquerda, o fim da luta entre capital e trabalho. Qualquer opinião divergente era logo maculada como atraso, retrocesso, etc.

Diante de derrotas eleitorais seguidas, a social-democracia europeia, o trabalhismo inglês, os partidos socialistas e os democratas dos EUA, abandonaram de vez o social, se deslocaram por um breve período para o centro, e hoje são partidos de direita. Vide Clinton e Obama nos EUA, Sócrates em Portugal, Zapatero na Espanha, Tony Blair na Inglaterra. Se ainda havia uma esquerda na Europa, ela foi completamente destruída com os fracassos dos governos Leonel Jospin na França e Romano Prodi, na Itália.

Uma derrota acachapante da esquerda no centro do capitalismo mundial. Derrota que se anunciava também na terra brasilis, lá em 1988, ano de fundação do Partido da Social-Democracia Brasileira.

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Um partido com a cara da esquerda, social-democrata, moderno, progressista, formado por intelectuais de tradição marxista, exilados políticos, ilustrados. Estavam rompendo com o Orestes Quércia. Políticos de grande respeito compunham seus quadros: Mário Covas, Franco Montoro, Grama, Ruth Cardoso. Um partido de opositores à ditadura e consequentemente de esquerda. Como se essa fosse uma verdade. Ainda mais quando a inspiração europeia já havia se tornado a fatídica terceira-via.

Com a vitória de FHC, a modernidade finalmente chegara ao Brasil, o fim da era Vargas. O presidente intelectual assumiu para inserir nosso país na era da globalização, no século XXI. Pegou uma cartilha preparada pelo FMI, cartilha preparada pela escola de Chicago, e a aplicou em terra antropofágica. Sempre sob a mesma aura da racionalidade, do fim das utopias e do fim das disputas ideológicas, bastava aplicar a cartilha neoliberal e tudo se resolveria num passe de mágica. 

O presidente intelectual abandonou o princípio básico de sua formação e da atuação de qualquer intelectual: a dialética. Ou não, apenas foi para a direita, assim como todos os seus inspiradores. Pois o PSDB permaneceu cego perante a cooptação do Estado pelos capitalistas  que não mais aceitavam o Estado de bem-estar. Ou não, sempre soube e mesmo assim insistiu na tese de que era um partido de esquerda, mas que aplicaria a austeridade fiscal, pois era a única forma de combater a inflação. Enquanto isso, desde a grande depressão, nunca a inflação foi tão elevada, pois com a precarização do trabalho, a concentração de renda, o aumento das desigualdades, o arrocho salarial e o desemprego, os preços nunca estiveram tão altos.

E então veio o maior de todos...

Enquanto o nunca dantes governava o Brasil, o Aécio governava Minas. Deve ter feito um bom governo, foi reeleito com quase 80% dos votos em 2006 e elegeu o Anastasia em 2010. Depois da derrota de Alckimin (2006) e Serra (2010), aparece como o principal líder da oposição. Começou sua atuação no senado de forma discreta e pressionado por sua base, decidiu se colocar como um grande líder oposicionista. Preparou o Brasil para um grande discurso, acioonou sua máquina midiática,  gerou grandes expectativas no governo e na oposição. Um discurso para parar o país.
Depois de frases de um grande estadista, "o papel da oposição é se opor", "entre a nação e o PT, o PT escolheu o partido", "não confundo agressividade com firmeza, não confundo adversário com inimigo" e outras bobagens, ficou claro e evidente que o Aécio está assumindo o papel da direita racional, da direita propositiva. Melhor do que a oposição serrista e fernandina, mas ainda muito longe da apresentação de um projeto para o Brasil.

Não dava para esperar mais do que isso. Os ataques ao governo Lula e ao governo Dilma foram na velha direção de gastos públicos, inchaço da máquina, fantasma de inflação, déficit, etc. Exatamente o mesmo discurso cego, avassalador com o apoio da mídia, que acabou com a esquerda no centro do capitalismo. O mesmo discurso que, entre o capital e o trabalho, fica com o capital. A defesa de FHC indica que o PSDB, pelo menos sob a liderança de Aécio, finalmente começa a assumir o papel  do que sempre foi: uma direita liberal.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Da série e agora José?... Aécio, FHC, Otavinho, Civita, Merval, Urubó...

Muito, muito trabalho, pouco tempo. Mas não me aguento.Vamos lá, rapidinho, à la PHA.

Esse não é um blog chapa-branca. Já está muito claro. Então, de forma muito imparcial apresentarei apenas fatos e dados. Intercalo alguns comentários dos especialistas da grande mídia:

A produção industrial cresceu 1,9% em Fevereiro, em comparação com Janeiro. Meu Deus!

O crédito continua crescendo. Meu Deus!

"É o fim do mundo. A inflação vai voltar, está descontrolada. O governo precisa cortar muito mais do que os 50 bilhões e o BC tem que subir 1% a taxa Selic. Senão, será o caos"

Mas aí, o que acontece com a inflação em março? Recua. Pelo IPC a inflação recuou para 0,35% em março, ante 0,6% em fevereiro. Meu Deus!

"Mas as contas públicas estão deterioradas. O Brasil corre sério risco de crescer demais sua dívida. Terá que cortar, pois a expansão do crédito é diretamente relacionada à expansão de crédito feita pelo governo, com repasses para o BNDES, com juros subsidiados".

Mas o que acontece com o nosso rating? A Fitch subiu nossa nota de BBB- para BBB. Meu Deus!

“A queda de desigualdade regional é inédita”, diz Marcelo Neri, economista da FGV do Rio. Meu Deus!
Nunca dantes na história desse país...

Porém, nem tudo que acontece na terra brasilis é culpa do Lula. Uma grande obra em conjunto está ocorrendo por aqui. Uma aliança inédita entre PT e PSDB, entre Lula-Dilma e Serra-Alckmin:

Pela primeira vez na história desse país, os salários do Rio superam os de São Paulo.

Nunca dantes...

Esse mérito não pode ser exclusivo do lulopetismodilmismo. Grande contribuição demotucanaalckimistaserristafernandina.

O Rio tem indústria, tecnologia, inovação.
São Paulo vive a desindustrialização.
O Rio tem a Petrobras e toda a pesquisa nas universidades e nos institutos de pesquisa.
São Paulo tem cana, boi, banco e serviços. E com cana, aqui em São Paulo, se faz açúcar, não etanol. Açúcar está valorizado. Commodities.

Diferenças de modelo. Um, privilegia o desenvolvimento. Outro, privilegia o capital.

Esse maior de todos...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Êta namorico mais curto

Finalmente assiti ao espetacular Inside Job. Apesar de já saber quase tudo o que o documentário mostra, pois acompanhei de perto toda essa obscenidade, o roteiro nos leva a ficar estupefados. O cinismo e a gagueira dos responsáveis pela crise te deixa com vontade de quebrar a tela do computador.

E o Obama? Montou um governo de Wall Street e jogou no lixo toda a esperança que o mundo depositou nele durante sua campanha. Doi mais ainda saber que no ano que vem estarei torcendo por sua reeleição, esperando que o Tea Party não chegue diretamente ao poder. Indiretamente eles já estão lá há tempos.

O que eu não sabia era a relação promíscua entre os intelectuais e os crápulas do mercado financeiro. Achava, inocentemente, que os acadêmico estadunidenses acreditavam verdadeiramente na desregulamentação dos mercados. Após a queda do comunismo, na minha visão torpe sobre o mundo acadêmico, os estudiosos universitários  confiavam que não haveria razão para a manutenção de uma regulação do mercado. A vitória da "liberdade" e do "indivíduo".

Mas não, a questão era grana mesmo. Os intelectuais recebiam, e continuam recebendo, fortunas para produzirem relatórios e estudos falsos, mentirosos, distorcidos, preparados para provar que os agentes racionais do mercado estão certos, e qualquer contestação a essa visão estúpida da economia é feita por questões ideológicas, e portanto erradas.

Como agravante, um canal de comunicação aberto, que corrobora essa visão, e que não permite o contraditório: a mídia. Os Estados Unidos são os pioneiros do que o Luiz Gonzaga Belluzo chama de "jornalismo de coluna". O jornalista apresenta o fato. O fato precisa de uma análise ou explicação, afinal o receptor do fato (leitor, espectador, ouvinte, internauta) é um ser incapaz de compreender aquele fato. Então, convoca-se um analista que explica que o fato não é bem assim. Sempre a análise converge para uma visão pré-determinada.

Uma das principais críticas ao marxismo ortodoxo era justamente essa. Há uma teoria. Estuda-se o fato. Se o fato não comprovar a teoria, joga-se o fato no lixo e fica-se com a teoria. Exatamente a picaretagem intelectual da escola austríaca de economia e da escola de Chicago.  Aqui, a Puc-RJ é a maior representante desse pensamento. E por aqui, são esses intelectuais os analistas do nosso jornalismo tupiniquim.

O colonizado jornalismo brasileiro resolveu copiar o modelo estadunidense. É impossível ler um jornal ou assistir a um telejornal - com exceção da TV Record, impressionante, a TV do bispo não tem analista - sem que alguma coluna ou opinião de especialista explique o fato para o receptor ignóbil. Essa foi a fórmula encontrada para escapar da hipocrisia da imparcialidade. O jornalismo é imparcial, o analista - da PUC-RJ ou de suas crias - está apenas opinando de forma racional e técnica.

Quando o jornalista vira o comentarista, essa falsa fronteira é escancarada.  Nada contra a Miriam - estou apenas usando um exemplo - mas tantas análises catastrofistas renderam à jornalista Miriam Leitão  o epíteto de urubóloga. Durante oito anos seguidos ela previu que o Brasil iria quebrar. Não quebrou, nem na crise de 2009. Ignorante ela não é. Receber dinheiro, também duvido. Estelionato intelectual, acho difícil diante da inteligência da jornalista-comentarista. Depois de tantos erros, como pode continuar falando diaramente suas mentiras e deturpações?

São os intelectuais, os acadêmicos do pensamento único. Depois da catástrofe do subprime - essa sim uma verdadeira catástrofe que merecia a prisão dos responsáveis e a apreensão de seus bens como forma de indenização - insistir na defesa desse modelo é uma atitude que só pode ser explicada por interesses escusos. Nem tão escusos assim.

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Após a posse da Dilma, o movimento da mídia foi contraditório, pois sem ter o Lula para bater, não havia notícia. Bobagens como liturgia do cargo e estilo da governar foram exaltados de forma a continuar a crítica à Lula, porém sem elogios ao governo. Uma expectativa se formou em torno do novo BC e do corte no orçamento. O BC subiu duas vezes os juros, os cortes foram de 50 bilhões de reais. Aparentemente uma vitória da doutrina de pensamento único e da mídia contra a irresponsabilidade da equipe econômica de Lula, da qual, incrivelmente, fazia parte uma tal de Dilma Rousseff.

Uma estranha aproximação entre a presidenta e a mídia ocorreu. Teve até editorial do Estadão elogiando Dilma. Porém, os elogios sempre foram no sentido de comparação entre Lula e Dilma, nunca nas políticas governamentais. Essas continuaram sendo criticadas e nos últimos dias, as críticas estão virando brados inconformados, brados que refletem alguns fatos:

1. Apesar do corte de 50 bilhões do orçamento, o Tesouro repassou 55 bilhões para o BNDES emprestrar, com juros subsidiados, e manter o papel desenvolvimentista do banco, abandonado por FHC, retomado por Lula e que continua com Dilma.
2. O BC iniciou um movimento de medidas macroprudenciais para conter o crescimento da inflação. Divergente do pensamento único do mercado e dos intelectuais, os quais enxergam apenas o aumento de juros para esfriar a economia.
3. Na última reunião entre o BC e o Focus, Tombini, presidente do BC, de recusou a falar com os agentes de mercado que dominam o Focus. Ouviu e saiu sem falar nada. Aparentemente a relação entre os agentes de marcado (Focus) e o BC ( governo) mudou após a saída do Meirelles.
4. O BC admitiu que esse ano não vamos voltar para o centro da meta de inflação, pois isso significaria derrubar a economia. O BC indica que vai enxergar 24 meses, ao invés de 12 meses, para o controle da inflação.
5. Toda a fritura em cima do Mantega foi eliminada com a entrevista de Dilma ao Valor. Lá fica claro que o BC não tem agentes do mercado em sua diretoria e que o desenvolvimentismo vai continuar na política econômica, tocada por Guido Mantega e Miriam Belchior.
6. Quatro áreas do governo não sofreram cortes: saúde, educação, PAC, e combate à miséria. Ciência e Tecnologia, que perdeu por volta de 1 bilhão de reais no orçamento, porém, conseguiu dois bilhões de reais a mais para a Finep.
7. O crescimento industrial continua, assim como a expansão do crédito e do consumo.
8. O Minha Casa Minha Vida "perdeu" dinheiro. Mas o orçamento  de 2011 ainda não foi votado - será votado nesse mês de Abril -  e ainda há restos a pagar de 6 bilhões do programa.

Esses fatos contradizem o pensamento único. Para ficar em um exemplo: a inflação não é generalizada. Há setores da economia que vivem pressões de subida de preços. Então, o governo Dilma toma uma medida para diminuir o crescimento desse determinado setor. Uma subida dos juros diminui o conjunto da economia, ao invés de reduzir as pressões inflacionárias específicas de um parte da economia.

Todos esses sinais indicam que Dilma vai aprofundar a política de Lula. As únicas áreas em que o Lula não mexeu - o BC e a política monetária - estão se mostrando de cara nova. Dilma tem lado, mais "sinistro" (uma singela homenagem à Itália) que Lula. Não espero as mudanças para amanhã, não acredito em mudanças abruptas e repentinas. O mercado também não. Mas eu vejo mudanças. O mercado também. Daí o brado.
 
Os intelectuais, aqueles que por motivos escusos são os analistas da mídia, estão inconformados. Eles querem sangue. Duas elevações da Selic mais um corte de 50 bilhões são insuficientes. Desejam aumento maior e mais rápido da Selic e um corte maior que o  corte feito por Dilma. Em pouco tempo os jornalões e as TVs começarão a atacar diretamente a Dilma. Por enquanto estão dizendo que o governo tem que tomar cuidado. Governo, não Dilma. Diferente dos tempos de Lula, nos quais os nomes eram explicitados.

O namoro está chegando ao fim. Três derrotas seguidas, na urna, no voto! Assim deve ser. Quem está cooptando quem?

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Agora que o Lula é Doutor, será que a mídia vai convidá-lo para ser analista?